01/05/2017

ROBERT E DIRCE FOSTER POR JOÃO MAURÍCIO DA ROSA



O inglês que tocou maior projeto rural de Pilar, Forster, apaixonado por Dirce, conduziu a construção da Saudade para produzir fibras.
POSTAGEM ORIGINAL REALIZADA EM http://pagina2.net.br/2016/03/14/ingles-que-tocou-projeto-rural/; aos 14/03/2016

Robert James Forster e Dirce Penteado no casamento em 18 de dezembro de 1953: casal tocou empreendimento da Alpargatas em Pilar do Sul
Diplomado em Economia Política na Universidade de Cambridge e combatente condecorado pela Real Marinha Britânica na Segunda Grande Guerra, aos 26 anos Robert James Forster desistiu de um projeto de glamorosa carreira diplomática para tocar fazendas na América do Sul. Vinha de uma estirpe de fazendeiros ingleses. Sonhava virar caubói americano.

No Rio Grande do Sul, empregado nos frigoríficos Anglo, foi promovido, à revelia,  do serviço de campo para o escritório. Pediu a conta. Em Gália, no interior de São Paulo, foi escalado para a administração das culturas de algodão, café e bicho-da-seda na Companhia Agrícola Rio Tibiriçá, de 23 mil alqueires, clube, cinema, escolas, farmácias. Era conhecida como Fazenda dos Ingleses, embora também contasse entre os acionistas com o banqueiro brasileiro Moreira Salles. A fazenda era como qualquer outro empreendimento de cidadãos britânicos nas colônias ultramarinas. Era 1953 e eles praticavam também o apartheid. No cinema e no clube, não se misturavam com brasileiros. Foi assim que o jovem Forster, agora com 27 anos, sentiu na própria pele branca o racismo de seu povo. Ao ser flagrado de mãos dadas com uma jovem professora foi chamado à diretoria e colocado no paredão. Deram-lhe três opções: desistir da brasileira, voltar à Inglaterra ou rescindir o contrato. Resumindo:– Ou nós ou ela!!!

Os encantos da professora Dirce, então com 21 anos, não foram levados em conta pelos superiores. Cabelos castanhos, filha da argentina Margarita e do ferroviário Oswaldo Penteado, Dirce era o que nos Anos Dourados os rapazes chamavam de um “sonho de menina”.Nascida em Bauru, formada na Escola Estadual Normal Canadá, de Santos, Dirce pegou o diploma de professora e foi lecionar numa das escolas de uma grande fazenda em Gália, a 401 km de São Paulo, na região de Marília. Na primeira vez que entrou na sala de aula viu uma cobra. Chamou o administrador. Era um jovem inglês de cabelos louros, com um topete bem ajeitado à moda da época.Ao ser confrontado no paredão, não pensou duas vezes. Trocou a carreira pelo amor da brasileira.

Chaminés da cerâmica que produziu tijolos e telhas para a construção das casas da Saudade
Em 18 de dezembro de 1953, Robert e Dirce estavam casados. E desempregados. Não por muito tempo. No começo de 1954, Roy, como era chamado por sua jovem princesa, estava desembarcando em Pilar do Sul para liderar outro grande projeto agrícola: a construção da Fazenda Vitória, no bairro da Saudade, a 10 km do centro da cidade, com seis mil hectares de mata atlântica. Tudo por construir.
Fora contratado pela indústria anglo-argentina Alpargatas, mais tarde nacionalizada como São Paulo Alpargatas. Sua missão: construir um complexo agrícola para cultivo e beneficiamento de “Phormiun tenax” ou “fórmio”, também chamado de linho-da-nova-zelândia.
A matéria prima da sola das famosas enxuga-poças  que os argentinos rurais usavam sob as bombachas e logo viraram mania também dos brasileiros. A planta ficou conhecida em Pilar do Sul como juta ou sisal e teve importância tão grande para o Município que até hoje ilustra a sua bandeira embora não seja mais cultivada.
À moda inglesa e com pontualidade inglesa foram construídas cerca de 200 casas para os trabalhadores da Fibrasil, o braço rural da Alpargatas. Todas de tijolos aparentes, alpendre, luz elétrica, água encanada.
Também foi construída toda uma estrutura urbana no meio do mato:  escola, farmácia, igreja, campo de futebol, estábulo, uma mini- usina hidrelétrica. Um galpão para separar a polpa da fibra. E um clube para todos os empregados sem distinção de cor. Damásio de Almeida, braço direito de Roy, também vindo de Gália, era negro.
Além de todas as habilidades, o jovem inglês revelou-se um arquiteto ousado, como se nota no teto convexo do clube e na cruz pendurada na fachada da igreja de portas e janelas trapezoidais.
Janelas e porta em forma de trapézio e cruz pendurada: arquitetura de Roy Forster
As obras começaram em 1954 assim que Roy e Dirce se instalaram em uma clareira da floresta em uma casa de alumínio pré-fabricada, habitação que se proliferou na Europa do pós-guerra.
– Era uma casa com base de concreto e paredes de alumínio com forro de amianto. Foi a saída encontrada para que pudéssemos morar na fazenda enquanto as casas iam sendo construídas, conta Dirce.
– Naquele tempo chovia 300 dias por ano. A gente estava no meio da mata atlântica, onde mais chove. As roupas não secavam, a umidade fazia tudo cheirar a bolor, lembra a professora, que mais tarde foi diretora do Ginásio Estadual, fundadora do ensino médio em Pilar do Sul e vereadora.
Ninguém lembra quando as obras foram concluídas. Mas todos sabem quando começou a demolição: em 1997 quando a Alpargatas vendeu a Fazenda Vitória de porteiras fechadas.
A Companhia Suzano de Papel e Celulose, nova dona do empreendimento, começou a demolição leiloando tudo o que se movia: caminhões, tratores, motoniveladoras, retroescavadeiras, automóveis.
– Leiloaram até uma disputada mesa de sinuca clássica, relíquia do clube social, conta o engenheiro José de Almeida Rosa Júnior, que participou do certame, em dezembro de 97.
O desmonte radicalizou em 2011 quando a Suzano decidiu vender duas vilas da Saudade: as colônias Papa João XXIII e a Açores, com mais de 120 casas no total. Compradas pela Eucatex e revendidas à Duratex, foram literalmente soterradas para o cultivo de eucaliptos.
– Faltou pulso para a Prefeitura. Era para ter baixado decreto de utilidade pública e depois corrido atrás de dinheiro para desapropriar e dar outra utilidade aos imóveis, argumenta Júnior.
Roy morreu de câncer em 1986, aos 60 anos, tendo sido poupado de ver o trágico fim de sua obra. Antes fez as pazes com a pátria e levou sua princesa para passear em Berwich, sua cidade natal, na fronteira da Inglaterra com a Escócia.
– Ele realizou o sonho que sempre confessava para todo mundo: ser um caubói na América, mesmo que no Sul, conta Dirce, que já extirpou dois tumores, no intestino e nos seios.
Restaram apenas 75 casas e só dois moradores dos mais de mil que habitaram ali: Gerson Correia, 55 anos e sua esposa Adriana, ambos nascidos naquelas casas e educados na escola primária construída por Roy. Nunca moraram na cidade.

Jesuítas exploraram região há 300 anos, segundo a lenda

Último morador de uma vila com aproximadamente 75 casas, Gerson é o zelador das fazendas da Suzano

Gerson Correia, convertido em zelador da Saudade e de outras fazendas da Companhia Suzano, mora na última casa em condições de habitação no centro do bairro da Saudade, em sua rua principal, entre o lago e as instalações do clube, da escola e da igreja. No caminho entre sua casa e o clube está na legendária casa da família Rugine, ou Ruzzene, cujo patriarca, o italiano Giusepe Rugine, ficou conhecido como Bepe e ali construiu sua fortuna.

O armazém do Bepe, casa 9, e sua residência, casa 10, na rua principal da Saudade. Seu filho Vladimir Ruzzene, 57, conta que no bar do armazém freguês só pagava o que levava; o que bebia era cortesia da casa. Bepe ganhava dinheiro transportando fibra para São Paulo.

-Há sempre o risco de invasão e furto de madeira, Gerson conta, mostrando o mapa da fazenda, em forma de passarinho com uma grande cauda voltada para o Leste, os fundos da propriedade, a saída para o Vale do Ribeira, uma mata cerrada ligada ao Litoral Sul de São Paulo por um emaranhado de trilhas construídas há mais de 300 anos por jesuítas que vinham de Itanhaém.
Ao todo a propriedade possui 6.043 hectares dos quais cerca de mil estão cultivados com eucaliptos e pinus, 870 são área de preservação permanente e outros 270 hectares de mata nativa estão em processo de recuperação por força de um acordo da Suzano com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Restam, portanto, quase cinco mil hectares de floresta nativa, a autêntica Mata Atlântica que se estende até o Vale do Ribeira.
– É uma região muito rica em grutas com inscrições rupestres e rios com cursos d’água desviados por garimpeiros, conta Gerson. Seus mais importantes rios, o Claro e o Clarinho estão secando, segundo denúncias, assoreados por conta do cultivo de eucaliptos e o seu manejo.
Mapa da Fazenda Vitória, mais de 6 mil hectares, dos quais 5 mil hectares ainda são mata virgem.
A Prefeitura de Pilar do Sul chegou a fazer um levantamento do potencial turístico da trilha jesuítica, mas não teve a mesma tenacidade do inglês para executar o projeto. Outras trilhas, conhecidas pelos moradores mais antigos, também estão desaparecendo junto com os desbravadores.
Em 2008, a Suzano cedeu à Prefeitura em comodato de dez anos os seis hectares ocupados pelo clube, igreja, escola e nove casas. O município ficou de desenvolver um projeto de turismo e educação ambiental, mas a três anos do fim do contrato, o mato começa a tomar conta dos imóveis e a igreja teve a entrada interditada.
– Ao não cumprir com sua parte no contrato de cessão, a Prefeitura vai ficar sem argumento quando a Suzano decidir derrubar tudo, avalia Gerson.
Uma plantação de eucalipto recente começa a engolir uma rua quase no centro da Saudade, até agora poupada pela Suzano. E a empresa tem dado sinais de que não vai deixar aquela clareira de tijolos aparentes aberta por muito tempo. As árvores já ameaçam ultrapassar a altura das três chaminés dos fornos da olaria que abasteceram as construções.
– Eu estive lá no começo do ano. Foi muito triste ver tudo ruindo. Foi Roy quem começou a construir a olaria. Algumas casas só têm as paredes. Chorei de tristeza, lembra dona Dirce.

Área do clube, escola e igreja, foi cedida em comodato à Prefeitura há oito anos por um período de dez anos. O presidente da Câmara, Marcos Fábio (PSDB) explica que área cedida não corresponde às necessidades de projeto de turismo e educação ambiental. “Na área onde está o conjunto arquitetônico mais precioso não deixam nem entrar”, afirma ele.


Antes éramos dois

Quando a família cresceu mudou-se para a cidade e Dirce chegou a diretora e vereadora: Jaqueline, Andrew (no colo) e Any ampliaram a família
A professora Dirce Penteado Forster passou dois meses morando em um hotel de São Paulo enquanto o marido Robert J. Forster preparava as acomodações para a família na agrovila da Saudade. Roy, como era chamado pela esposa, ou mister Forster para os menos íntimos, foi o responsável por todo o projeto da construção da agrovila, desde as ruas até as casas e equipamentos.
Para gerenciar os trabalhadores, ele trouxe de Gália seu braço direito, Damásio de Almeida, cuja lembrança também está sendo apagada junto com a capelinha construída em sua homenagem no local onde tombou fulminado por um infarto. “Ele caminhava todas as noites de sua casa até o clube”, conta Gerson Correia. A casa de Damásio é onde Gerson mora hoje, anexa ao escritório da empresa.
Dona Dirce lembra que os caminhões de fibra tinham que sair da Saudade pela madrugada para chegar à noite em São Paulo. Durante um período, a única fonte de luz eram os lampiões, depois foi instalada uma usina térmica, movida a óleo diesel e, finalmente, a hidrelétrica, cuja turbina ainda hoje está no local.
Nos primeiros meses na Saudade, recém- casada, Dirce conta que só tinha a companhia do marido. Nos dias de folga, seu passatempo era fazer piquenique na beira de uma cachoeira. Mais tarde, com a vila já totalmente habitada, Roy montou um time de futebol que levava para competir nas cidades da região.
– Eu ia junto e ficava na torcida. Ele costuma apitar as partidas e como sempre ocorre, os adversários chamavam o juiz de ladrão. Eu ficava muito brava. “Por que não vai apitar você?”, eu retrucava.
O time da Saudade ficou notório com o decorrer do tempo, participando de competições em vários municípios. Dirce estava sempre na torcida, menos quando a partida era em Salto de Pirapora. “Roy não me deixava ir para Salto, a torcida de lá tinha fama de muita violência”, lembra.
Durante a construção, a diretoria da Alpargatas, então composta majoritariamente por cidadãos de língua inglesa, visitavam o empreendimento e Dirce era a cozinheira e anfitriã. “Eles comiam o clássico bife com batatas ou purê”, lembra ela. A fazenda também era visitada por políticos.

Sodré, à frente e Ayub, à sua esquerda, comandam visita de comitiva palaciana ao empreendimento
Em 1970 ela recebeu o então governador Abreu Sodré (1967/1971) trazido pelo então prefeito Antônio José Ayub.
As crianças se divertiam no bairro catando pinhão e ouvindo estórias de fantasmas. Durante a temporada de pinhão, em junho, as pinhas explodem chamando a atenção das crianças que correm para catar as pinhas numa alegre competição.
Em frente à casa da família havia uma velha paineira que era cercada de histórias. “Diziam que a árvore gemia porque havia escravos enterrados embaixo dela. Outros acreditavam que havia ouro enterrado por piratas na raiz”.
Os Forster já eram cinco nesta alturas. O casal teve os filhos Anne, Jaqueline e Andrew entre 1954 e 1959, quando decidiram se mudar para a cidade. Anne foi a sobrevivente de duas meninas gêmeas. “A outra sobreviveu 48 horas”, conta dona Dirce.
Para mudarem à cidade, onde as crianças iriam cursar o Ginásio, Roy construiu ao seu estilo uma casa na rua Santo Antônio. E dona Dirce começou a dar aulas, virou diretora do Ginásio e foi eleita vereadora.
Durante seu mandato como diretora, Dirce participou de diversas excursões até o palácio do Governo, em São Paulo, para reivindicar a instalação do curso Colegial em Pilar do Sul. Na época, a cidade tinha só os oito primeiros anos de ensino.
Alunos do Ginásio em campanha no Palácio do Governo para a criação do curso Colegial (ensino médio).
No início dos anos 70 quando assumiu a direção do Ginásio e a Câmara Municipal, a escola não tinha funcionários suficientes e nem recursos para contratar. Desta forma, os alunos eram obrigados a fazer a faxina em suas salas de aula  incluindo a diretora e seus filhos. “Eu cobrava mais de meus filhos de que dos outros alunos, eles tinham que dar exemplo”, lembra Dirce.
Ela conta que o professor José Luis Corre Duarte, mais tarde conhecido como Mané, por sua nacionalidade portuguesa, veio pedir emprego quando estava no último ano do curso de matemática.
“Quando ele chegou eu estava varrendo a sala da diretoria. Aí ele disse que estava se formando e soube que estavam precisando de professor e gostaria de falar com a diretora. Eu encostei a vassoura e o convidei para sentar”.

Estudantes de Pilar enchem recepção do gabinete do governador Lauro Sodré no Palácio dos Bandeirantes
Dirce, aos 83, braços firmes, passos fortes, passa o tempo com crochê, tricô e reuniões com professores aposentados.
“Este foi um período de muita correria. Eu quase não tinha tempo para ficar em casa. Às vezes o Roy ia até o Ginásio me levar um lanche e um copo de leite. Ele era um tesouro”, recorda-se. Ao mesmo tempo em que dirigia o Ginásio e fazia campanha para a criação do ensino médio, Dirce era vereador e fazia campanha pela pavimentação da estrada de Pilar a Salto de Pirapora. “A gente ia para a Secretaria de Transportes do Estado, onde o Paulo Maluf era secretário, e não saía de lá enquanto não éramos atendidos. Aguentei esta vida por três anos. No último ano de mandato vim embora para Sorocaba”.
Dirce agora mora sozinha. Depois de se livrar de um câncer nos intestinos há 20 anos, há dois anos extirpou um câncer nos seios e já considera que está ganhando uns anos de “lambuja”. Se ela não contasse, não há nada em seu cotidiano que denuncie a presença de doenças de qualquer gravidade.
Passos firme, braços fortes, acorda cedo, toma um remédio para tireoide e lê o jornal Cruzeiro do Sul no intervalo obrigatório entre a medicação e o café da manhã.  Depois faz tricô, crochê ou lê um livro. Mensalmente se reúne com um grupo de professores aposentados para tomar chá e “falar dos médicos”.  Daqui até o Ano Novo está com a agenda cheia de compromissos com as festas na casa da filha Jaqueline, em Itapeva, onde vai  se reunir com irmãos, filhos, netos, bisnetos e sobrinhos.

Eucaliptos vão engolindo resto de agrovila fundada em 1954 em Pilar do Sul para o cultivo das fibras usadas na sola das enxuga-poças da Alpargatas.

O papel que apaga a história- Por João Maurício da Rosa



O papel que apaga a história.



A HISTÓRIA DE FAZENDA VITÓRIA E DO CASAL FOSTER PELO JORNALISTA PILARENSE JOÃO MAURÍCIO DA ROSA.
Postado originalmente em https://diariodointerior.wordpress.com/2015/12/05/o-papel-que-apaga-a-historia-2/ aos 05/12/2015.



euca engole casas
Eucaliptos vão engolindo resto de agrovila fundada em 1954 em Pilar do Sul para o cultivo das fibras usadas na sola das enxuga-poças da Alpargatas.

Diplomado em Economia Política na Universidade de Cambridge e combatente condecorado pela Real Marinha Britânica na Segunda Grande Guerra, aos 26 anos Robert James Forster desistiu de um projeto de glamorosa carreira diplomática para tocar fazendas na América do Sul. Vinha de uma estirpe de fazendeiros ingleses. Sonhava virar caubói americano.
No Rio Grande do Sul, empregado nos frigoríficos Anglo, foi promovido, à revelia,  do serviço de campo para o escritório. Pediu a conta. Em Gália, no interior de São Paulo, foi escalado para a administração das culturas de algodão, café e bicho-da-seda na Companhia Agrícola Rio Tibiriçá, de 23 mil alqueires, clube, cinema, escolas, farmácias. Era conhecida como Fazenda dos Ingleses, embora também contasse entre os acionistas com o banqueiro brasileiro Moreira Salles.
A fazenda era como qualquer outro empreendimento de cidadãos britânicos nas colônias ultramarinas. Era 1953 e eles praticavam também o apartheid. No cinema e no clube, não se misturavam com brasileiros.
Foi assim que o jovem Forster, agora com 27 anos, sentiu na própria pele branca o racismo de seu povo. Ao ser flagrado de mãos dadas com uma jovem professora foi chamado à diretoria e colocado no paredão. Deram-lhe três opções: desistir da brasileira, voltar à Inglaterra ou rescindir o contrato. Resumindo:
– Ou nós ou ela!!!
Os encantos da professora Dirce, então com 21 anos, não foram levados em conta pelos superiores. Cabelos castanhos, filha da argentina Margarita e do ferroviário Oswaldo Penteado, Dirce era o que nos Anos Dourados os rapazes chamavam de um “sonho de menina”.
Nascida em Bauru, formada na Escola Estadual Normal Canadá, de Santos, Dirce pegou o diploma de professora e foi lecionar numa das escolas de uma grande fazenda em Gália, a 401 km de São Paulo, na região de Marília. Na primeira vez que entrou na sala de aula viu uma cobra. Chamou o administrador. Era um jovem inglês de cabelos louros, com um topete bem ajeitado à moda da época.
Ao ser confrontado no paredão, não pensou duas vezes. Trocou a carreira pelo amor da brasileira.
– Ela!!!

dirce e forster casa
 Dirce e Roy Forster em 18 de dezembro de 1943: o inglês que construiu a agrovila foi demitido quando manifestou intenção de casar com brasileira em época de apartheid no Brasil

Em 18 de dezembro de 1953, Robert e Dirce estavam casados. E desempregados. Não por muito tempo. No começo de 1954, Roy, como era chamado por sua jovem princesa, estava desembarcando em Pilar do Sul para liderar outro grande projeto agrícola: a construção da Fazenda Vitória, no bairro da Saudade, a 10 km do centro da cidade, com seis mil hectares de mata atlântica. Tudo por construir.
Fora contratado pela indústria anglo-argentina Alpargatas, mais tarde nacionalizada como São Paulo Alpargatas. Sua missão: construir um complexo agrícola para cultivo e beneficiamento de “Phormiun tenax” ou “fórmio”, também chamado de linho-da-nova-zelândia.
A matéria prima da sola das famosas enxuga-poças  que os argentinos rurais usavam sob as bombachas e logo viraram mania também dos brasileiros. A planta ficou conhecida em Pilar do Sul como juta ou sisal e teve importância tão grande para o Município que até hoje ilustra a sua bandeira embora não seja mais cultivada.
À moda inglesa e com pontualidade inglesa foram construídas cerca de 200 casas para os trabalhadores da Fibrasil, o braço rural da Alpargatas. Todas de tijolos aparentes, alpendre, luz elétrica, água encanada.
Também foi construída toda uma estrutura urbana no meio do mato:  escola, farmácia, igreja, campo de futebol, estábulo, uma mini- usina hidrelétrica. Um galpão para separar a polpa da fibra. E um clube para todos os empregados sem distinção de cor. Damásio de Almeida, braço direito de Roy, também vindo de Gália, era negro.
Além de todas as habilidades, o jovem inglês revelou-se um arquiteto ousado, como se nota no teto convexo do clube e na cruz pendurada na fachada da igreja de portas e janelas trapezoidais.

igreinha
 A cruz pendurada na fachada, portas e janelas trapezoidais: ousadias de Roy
As obras começaram em 1954 assim que Roy e Dirce se instalaram em uma clareira da floresta em uma casa de alumínio pré-fabricada, habitação que se proliferou na Europa do pós-guerra.
– Era uma casa com base de concreto e paredes de alumínio com forro de amianto. Foi a saída encontrada para que pudéssemos morar na fazenda enquanto as casas iam sendo construídas, conta Dirce.
– Naquele tempo chovia 300 dias por ano. A gente estava no meio da mata atlântica, onde mais chove. As roupas não secavam, a umidade fazia tudo cheirar a bolor, lembra a professora, que mais tarde foi diretora do Ginásio Estadual, fundadora do ensino médio em Pilar do Sul e vereadora.
Ninguém lembra quando as obras foram concluídas. Mas todos sabem quando começou a demolição: em 1997 quando a Alpargatas vendeu a Fazenda Vitória de porteiras fechadas.
A Companhia Suzano de Papel e Celulose, nova dona do empreendimento, começou a demolição leiloando tudo o que se movia: caminhões, tratores, motoniveladoras, retroescavadeiras, automóveis.
– Leiloaram até uma disputada mesa de sinuca clássica, relíquia do clube social, conta o engenheiro José de Almeida Rosa Júnior, que participou do certame, em dezembro de 97.
O desmonte radicalizou em 2011 quando a Suzano decidiu vender duas vilas da Saudade: as colônias Papa João XXIII e a Açores, com mais de 120 casas no total. Compradas pela Eucatex e revendidas à Duratex, foram literalmente soterradas para o cultivo de eucaliptos.
Roy morreu de câncer em 1986, aos 60 anos, tendo sido poupado de ver o trágico fim de sua obra. Antes fez as pazes com a pátria e levou sua princesa para passear em Berwich, sua cidade natal, na fronteira da Inglaterra com a Escócia.
-Ele não podia ouvir rojões, tinha lembranças da guerra”, lembra Dirce, ainda conservando o andar firme da diretora do Ginásio, implacável quando sentava-se no outro lado da mesa e o aluno a esperava cabisbaixo no banco de madeira invernizada.
– Ele realizou o sonho que vivia a confidenciar: ser um caubói na América, mesmo que no Sul, conta Dirce, a respeito das ambições de seu marido no Brasil.
-Depois da Guerra, Roy queria voltar a trabalhar no campo, como os seus pais. Na Inglaterra as propriedades são pequenas e os agricultores compartilhavam mão de obra e equipamentos. Ele passou a valorizar muito o trabalho coletivo.
Restaram apenas 75 casas e só dois moradores dos mais de mil que habitaram ali: Gerson Correia, 55 anos e sua esposa Adriana, ambos nascidos naquelas casas e educados na escola primária construída por Roy. Nunca moraram na cidade.

09/04/2017

INFORMAÇÕES DE PILAR EM 1921












O PODER DO PRP EM PILAR



Logo do Partido Republicano Paulista









 
















Partido Republicano Paulista

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Partido Republicano Paulista
Logotipo do Partido Republicano Paulista.png
Fundação 18 de abril de 1873
Dissolução 2 de dezembro de 1937
Sede São Paulo
Ideologia Republicanismo
Federalismo
Liberalismo
Regionalismo
Agrarianismo
Espectro político Centro-direita
Publicação Correio Paulistano (1890-1930)[1]
País Império do Brasil Império do Brasil
Brasil Brasil
Política do Brasil Partidos políticos
Eleições
Partido Republicano Paulista (PRP) foi um partido político brasileiro fundado em 18 de abril de 1873, durante a Convenção de Itu, que foi o primeiro movimento republicano moderno no Brasil.
Seus adeptos eram chamados de perrepistas. O PRP foi o partido político predominante no estado de São Paulo durante toda a República Velha. O PRP foi extinto em 2 de dezembro de 1937; Portanto, o PRP, junto com o Partido Conservador e o Partido Liberal, são os partidos de mais longa duração da História do Brasil.

Índice

Origem

O PRP foi um partido republicano com existência legal, mesmo na fase do Império do Brasil, fundado durante a convenção de Itu, em 18 de abril de 1873. Foi o Partido Republicano Paulista (PRP) o resultado da fusão política produzida entre fazendeiros do Clube Republicano ou Radical entre os quais se destacavam Américo Brasiliense, Luís Gama, Américo de Campos e Bernardino de Campos, Prudente de Morais, Campos Sales, Francisco Glicério, Júlio de Mesquita e Jorge Tibiriçá Piratininga, seu primeiro presidente. Nesta primeira convenção partidária, compareceram 124 delegados de diversas cidades da província paulista.
O PRP, no período imperial, chegou a eleger deputados para a Assembleia Geral do Império (a atual Câmara dos Deputados), Campos Sales e Prudente de Morais, na legislatura 1885-1888. Em 1887, Bernardino de Campos colocou a agremiação em linha definitivamente abolicionista, salvando-a da crise em que caíra pela propensão escravocrata dos proprietários de terras.
Seu órgão oficial era o jornal "Correio Paulistano", o qual, no segundo reinado, pertenceu ao Partido Conservador, e foi empastelado (destruído), em 1930, quando da vitória da Revolução de 1930, porém voltou a circular, e, finalmente encerrou suas atividades na década de 1960. Outros jornais, apoiadores do PRP, também foram empastelados em 1930, entre eles: "A Platéia", "A Gazeta" e a "Folha da Manhã", a atual Folha de S. Paulo.
Seus quadros compunham-se de profissionais liberais (advogados, médicos, engenheiros etc.), as chamadas classes liberais, e, sobretudo, por importantes proprietários rurais paulistas, cafeicultores, as chamadas classes conservadoras, partidárias da imigração de mão-de-obra européia para as lavouras de café e, também, partidários da abolição dos escravos.
Quase toda a cúpula do PRP, na época se dizia "próceres", eram membros da maçonaria. Eram tradicionais os encontros dos próceres do PRP na redação do Correio Paulistano.
Seu primeiro jornal foi o "A Província de S. Paulo", hoje O Estado de S. Paulo, fundado, em 1875, pelos republicanos históricos, entre eles, Campos Sales.
O objetivo primordial do PRP era implantar no Brasil uma federação republicana, com um alto grau de descentralização administrativa, o que inexistia durante o período imperial (1822-1889).
Outra importante reivindicação dos republicanos era o retorno dos impostos arrecadados pela união à província (depois estados) de origem.
O PRP viveu, na oposição, de sua fundação, em 1873, até a Proclamação da República. Voltou, após a Revolução de 1930, a ser um partido de oposição. Permanecendo, o PRP, na oposição, de 1930, até sua extinção, com o advento do Estado Novo, em 1937. Ou seja ele começou em 1873 (18 de abril) e terminou em 1937 (2 de dezembro)

O PRP e a República Velha

Com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, iniciou-se um novo ciclo de poder político no Brasil, chamado de República Velha.
A República Velha dividiu-se em dois períodos. Inicialmente instalou-se a denominada República da Espada, com os governos militares de marechal Deodoro da Fonseca e o marechal Floriano Peixoto consolidando o regime republicano no Brasil.
Após a saída dos militares do poder federal teve origem a República do café com leite ou República Oligárquica, quando e o país foi governado por presidentes civis fortemente influenciados pelo setor agrário da economia.
O PRP, através de seu principal líder e ideólogo Campos Sales com a sua "Política dos Estados", que era mais conhecida como Política dos Governadores, foi o partido político que teve importância decisiva no afastamento dos militares da política no início da República.
E assim, Campos Sales se manifestou a respeito:
[2]
E assim definiu a política do café com leite e a política dos estados:
[4]
O poder político federal, na República do Café com Leite, tinha sua governabilidade garantida pela Política dos Estados. Os deputados e senadores federais não atrapalhavam a política do presidente, o qual não interferia nos governos estaduais. Era garantido, aos estados, ampla autonomia administrativa em seus negócios próprios. o poder federal não interferia na política interna dos estados e os governos estaduais não interferiam na política dos municípios, garantindo-se lhes a autonomia política e a tranquilidade nacional.
O Presidente da República apoiava os atos dos presidentes estaduais como a escolha dos sucessores desses presidentes de estados, e, em troca, os governadores davam apoio e suporte político ao governo federal, colaborando com a eleição de candidatos, para o Senado Federal e para a Câmara dos Deputados, que dessem total apoio ao Presidente da República. Assim as bancadas dos estados no Senado Federal e na Câmara dos Deputados não ofereciam obstáculos ao presidente da república, o qual conduzia livremente seu governo.
Cada estado da federação brasileira tinha o seu Partido Republicano, mas não tinham ligação entre si e eram autônomos.
Revezavam-se no poder federal, representantes do Partido Republicano Paulista e do Partido Republicano Mineiro (PRM), que controlavam as eleições e gozavam do apoio da elite agrária, na época chamadas de classes conservadoras, de outros estados do Brasil.
Com o novo regime republicano, PRP deixa de ser um partido de classe social e de oposição, como era durante o segundo reinado, quando, de fato, era um veículo das exigências políticas dos grandes cafeicultores abolicionistas utilizadores da mão de obra assalariada européia.
Com a República, o partido torna-se também uma instituição dedicada à burocracia estatal, com a necessidade de que as esferas de governo estadual e municipal obedecessem às determinações da cúpula dirigente do PRP.
O PRP, então, ascendendo ao poder com a república, coloca em prática seu programa político de descentralização administrativa, criação de escolas, defesa do café e modernização do estado e da economia e separação da Igreja Católica do estado brasileiro.
O PRP só tinha existência legal dentro do território paulista e com a extinção dos Partidos Conservador e Liberal após a proclamação da república, passou a ser, praticamente, o único partido político existente no estado de São Paulo. Alguns partidos políticos tiveram existência efêmera no estado de São Paulo no início da República.
O PRP elegia todos os presidentes de São Paulo e todos os senadores e deputados estaduais. O PRP enfrentou uma frágil concorrência do Partido Republicano Federal (PRF) de Francisco Glicério de ideologia municipalista e do Partido Republicano Conservador (PRC).
Coube a Campos Sales, quando presidente do Estado de São Paulo, em 1897 e 1898, enfraquecer o PRF e o municipalismo, pressionando os coronéis do interior do estado a aderirem ao PRP. Em troca do apoio ao PRP e ao presidente do estado, os coronéis teriam seu poder local garantido e respeitado.
Esta atitude de Campos Sales no governo de São Paulo, foi como um embrião do que, depois, ele faria em nível nacional: a Política dos Estados ou Política dos governadores. Um dos líderes do interior de São Paulo que aderiram ao PRP, por causa da política de Campos Sales, e que depois se tornou um importante líder (prócer) do PRP, foi o Dr. Washington Luís.
O PRP foi influenciado muito pelos ideais da maçonaria e pelo positivismo, tendo tido, o PRP, verdadeira obsessão pela imigração européia.
Em nível municipal havia disputas políticas, quando mais de um coronel disputava o poder local. Nestes casos, políticos da capital então se dividiam, apoiando um ou outro coronel para os cargos municipais.
Nas pequenas cidades do interior de São Paulo, o líder local do PRP era o tipo do Coronel, em geral o líder da Loja Maçônica local. Às vezes, dois ou mais coronéis disputavam o controle de PRP local. Os grupos políticos locais recebiam apelidos como os Araras contra os Pica-Paus. Mas sempre havia candidato único à presidência do estado. Os coronéis apoiavam a política dos presidentes dos estados em troca destes respeitarem o poder local do coronel.
Houve pelo menos 4 dissidências dentro do PRP, comandadas por políticos descontentes com a cúpula do PRP e que foram preteridos na escolha dos candidatos do PRP à presidência do Estado ou outros cargos importantes.
A última dissidência resultou na criação do Partido Democrático em fevereiro de 1926, partido este que apoiou a Revolução de 1930. Essa última dissidência do PRP originou-se em crise ocorrida na maçonaria paulista, tendo o grão-mestre do Grande Oriente de São Paulo, doutor José Adriano Marrey Júnior, fundado o Partido Democrático.
A primeira grande disputa eleitoral entre estes PRP e Partido Democrático se deu, em 1928, pela prefeitura da cidade de São Paulo através do voto direto, quando o PRP saiu largamente vitorioso, reelegendo o prefeito Dr. José Pires do Rio.
O ataque mais sério ao poder de PRP foi a Revolta Paulista de 1924, que fez que o presidente Carlos de Campos se retirasse para o interior do estado, e organizasse batalhões em defesa da legalidade, conseguindo retomar o poder. Muitos membros importantes do PRP vestiram fardas da Força Pública de São Paulo, atual Polícia Militar do Estado de São Paulo, organizaram e comandaram a resistência contra os revoltosos.
O PRP elegeu todos os presidentes do Estado de São Paulo na República Velha e elegeu 6 presidentes da República, embora dois deles não tomaram posse: Rodrigues Alves quando reeleito em 1918 não chegou a tomar posse por ter falecido e Júlio Prestes por causa da Revolução de 1930. O Dr. Washington Luís foi deposto em 1930.
O Dr. Washington Luís foi um modernizador do PRP, instalando uma administração técnica, tanto na Secretaria de Justiça e Segurança Pública, (na chamada Polícia sem política), quanto na Prefeitura de São Paulo e no governo do estado.
O PRP foi derrotado nas eleições presidenciais de 1910 quando o presidente de São Paulo Albuquerque Lins foi candidato a vice-presidente na chapa de Rui Barbosa na chamada Campanha Civilista.
Os próceres políticos do PRP adquiram fama de bons administradores e homens probos, sendo que vários foram considerados estadistas.
Em geral, o PRP, na República Velha, era comandado pelo presidente do estado do momento. Os líderes que mais por tempo tiveram força na diretoria executiva do PRP foram o presidente Jorge Tibiriçá Piratininga, falecido em 1928, o Coronel Fernando Prestes de Albuquerque e o Dr. Altino Arantes Marques, ambos falecidos após o término da República Velha.

O PRP e a Revolução de 1930

Em 1 de março de 1930, o candidato a presidente da República Júlio Prestes do PRP teve 90% dos votos válidos no Estado de São Paulo. Foi outra grande vitória que o PRP obteve contra o Partido Democrático que apoiara o candidato de oposição Getúlio Vargas. Júlio Prestes, porém, não tomou posse, atropelado que foi, pela Revolução de 1930.
Com a revolução de 1930, vários próceres políticos do PRP, inclusive o presidente eleito Júlio Prestes, que se licenciara do governo de São Paulo e o presidente da república Washington Luís foram exilados. O vice-presidente de São Paulo, em exercício do cargo de presidente do estado, Doutor Heitor Penteado, foi deposto em 24 de outubro de 1930, preso e exilado. O PRP não mais voltaria a governar São Paulo.
Com a Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio Vargas ao poder romperam com este ciclo, todos os partidos foram extintos, só voltando a existir nas eleições de 1933. Também foi extinto o domínio da política do café-com-leite (representada pelo PRP e pelo PRM).
A partir de 1930, salvo poucas exceções, gaúchos e mineiros se revezariam na presidência da república, até a década de 1980. Nos 50 anos seguintes a 1930, gaúchos e mineiros estariam no poder federal por 41 anos. Júlio Prestes foi o último paulista eleito presidente da república.
Na versão dos revolucionários de 1930, o Brasil exigia modernidade, através de manifestações políticas e culturais, com prenúncios do que aconteceria, em 1930, dados pela Semana de Arte Moderna de 1922, (a qual, porém, foi apoiada pelo presidente de São Paulo na época, Washington Luís, e pelo Correio Paulistano e da qual participaram dois membros do PRP: Plínio Salgado e Menotti Del Picchia), e pelo Movimento tenentista de 1922 e pela Revolta Paulista de 1924 que visou a deposição do governo perrepista de Carlos de Campos.
A Revolução de 1930, com todas as suas dificuldades, içou, no ponto de vista dos revolucionários, na visão dos revolucionários de 1930, o país ao mundo contemporâneo.
Entretanto, no ponto de vista do líder perrepista, Júlio Prestes, eleito presidente em 1930, a ditadura implantada em 1930, desonrava o Brasil:
[5]
Na Revolução Constitucionalista de 1932, o PRP e o Partido Democrático se uniram no combate à ditadura do "Governo Provisório", e, em 1933, o PRP participou das eleições para a Assembléia Nacional Constituinte através da "Frente Única por São Paulo Unido", que foi a última vez, na história de São Paulo, que as forças políticas paulistas marcharam unidas.
Nos seus derradeiros anos de vida, o PRP lançou na política, como deputado estadual constituinte, sua última estrela: o doutor Adhemar Pereira de Barros. Nessa época, o PRP fez oposição ao governador Armando de Sales Oliveira, não aceitando apoiá-lo quando se lançou candidato a presidente da república nas eleições marcadas para janeiro de 1938.
O PRP foi definitivamente extinto, logo após a instalação do Estado Novo, pelo decreto-lei nº 37, de 2 de dezembro de 1937. Adhemar de Barros e Fernando Costa, perrepistas históricos, foram interventores de São Paulo durante a ditadura. Com a volta dos partidos políticos em 1945, os remanescentes do velho PRP constituíram a seção paulista do Partido Social Democrático, exceto Júlio Prestes e elementos ligados a Washington Luís, que participaram da fundação da União Democrática Nacional, e Adhemar de Barros e seus seguidores, que criaram o Partido Republicano Progressista e logo em seguida o Partido Social Progressista.

Principais representantes

Referências



  • http://www.sapientia.pucsp.br/tde_arquivos/3/TDE-2007-05-08T13:25:41Z-3073/Publico/Angela%20Thalassa.pdf

  • CAMPOS SALLES, Manuel Ferraz de, Da Propaganda à Presidêcia, Editora UNB, 1983.

  • CAMPOS SALES, Manuel Ferraz de, Da Propaganda à Presidência, Editora Senado Federal, Edição Fac-similar, Brasília, 1998

  • CAMPOS SALLES, Manuel Ferraz de, Da Propaganda à Presidência, Editora UNB, 1983.


    1. Carta pertencente ao Arquivo Particular de Jacqueline Melo Ferreira

    Bibliografia

    • __________, Dados Biográficos dos Senadores de São Paulo - 1826-1998, Senado Federal, Brasília.
    • ALMEIDA FILHO, José Carlos de Araújo, O Ensino Jurídico, a Elite dos Bacharéis e a Maçonaria do Séc. XIX, Dissertação apresentada na pós-graduação stricto sensu, na área de concentração Direito, Estado e Cidadania, da Universidade Gama Filho, como requisito para obtenção do título de Mestre, Rio de Janeiro, 2005.
    • BARBOSA, Rui, Campanhas Presidenciais, Livraria Editora Iracema Ltda, São Paulo, s/d.
    • BELLO, José Maria, História da República, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1976.
    • CASALECCHI, José Ênio, O Partido Republicano Paulista: política e poder (1889-1926), São Paulo, Editora Brasiliense, 1987.
    • CASTELLANI, José, A Maçonaria na Década da Abolição e da República, Editora A Trolha, 2001.
    • DEBES, Célio, Constituição, estrutura e atuação do partido republicano de São Paulo na Propaganda (1872 - 1889), Dissertação de Mestrado em História, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1975.
    • DEBES, Célio, Júlio Prestes e a primeira República, São Paulo, Edição Arquivo do Estado - IMESP, 1983.
    • EGAS, Eugênio, Galeria dos Presidentes de São Paulo e vice-presidentes, Seção de Obras de "O Estado de S. Paulo", 3 volumes, 1927.
    • LEITE, Aureliano, História da Civilização Paulista, Edição Monumental do IV centenário da Cidade de São Paulo, 1954.
    • LIMA, Sandra Lúcia Lopes, O oeste paulista e a república, Editora Vértice, 1986.
    • OLIVEIRA, Percival de - O ponto de vista do PRP: uma campanha política, São Paulo, São Paulo Editora, 1930.
    • SALES, Alberto - A pátria paulista, Brasília, Editora da UnB, 1983.
    • SALES, Manuel Ferraz de Campos, Da propaganda à presidência, Senado Federal, 2000.
    • SANTOS, José Maria dos, Bernardino de Campos e o Partido Republicano Paulista, Rio de Janeiro, Editora Jose Olympio, 1960.
    • ZIMMERMANN, Maria Emilia, O PRP e os fazendeiros do café, Campinas, Editora da UNICAMP, 1986.


    ROBERT E DIRCE FOSTER POR JOÃO MAURÍCIO DA ROSA

    O inglês que tocou maior projeto rural de Pilar, Forster, apaixonado por Dirce, conduziu a construção da Saudade para produzir fibras....